A INDIGNAÇÃO DE MARCO POLO
Na minissérie Marco Polo, de Giuliano Montaldo e produzida em 1982, protagonizada por Ken Marshall, o maior viajante de todos os tempos, em direção ao Oriente com seu pai Niccolò e seu tio Matteo, testemunhou o massacre dos cruzados a inocentes e desarmados beduínos. Como sempre fora fã daqueles, ele, chamado de volta a São João de Acre pelo recém-eleito Papa Gregório X, afirmou que ficou bastante perplexo e indignado com a atitude covarde de seus até então heróis. O Papa disse-lhe, então, que havia realmente erros graves a serem corrigidos na Igreja.
Da mesma maneira que o meu eterno ídolo Marco Polo, eu sempre fui questionadora. Durante toda a minha juventude, frequentei o Movimento Católico Comunhão e Libertação, fundado por Luigi Giussani em 1954 e que defende a racionalidade da fé. Achei que a minha vida iria mudar da água para o vinho com novas amizades, mas fui aos poucos me decepcionando não só com o Movimento como com a própria Igreja Católica. Nunca aceitei completamente tudo o que esta pregava. Eu me desiludi tanto com as ideias do Movimento quanto com as pessoas. Fui percebendo, assim como Marco Polo, que a Igreja, na verdade, jamais foi perfeita. Temos que separar o trigo do joio, diz o Evangelho. A exemplo do viajante veneziano, que ficou indignado com a atitude covarde dos cruzados, eu não consigo entender como pessoas com um determinado perfil podem estufar o peito numa Missa, tomar a hóstia e pronunciar orgulhosamente o bom e santo nome de Deus! Será que elas em nenhum momento questionam o seu comportamento tão errado? Tenho verdadeiro horror aos fofoqueiros, mas infelizmente, sempre houve gente dessa espécie em grande número nas comunidades católicas! Igualmente pessoas dissimuladas frequentam a Igreja e aposto que várias delas nunca pararam para pensar na sua postura tão condenável!
Eu, na minha série LADY VERONA, me torno até amante de Marco Polo! Quanto à revolta contra a Igreja devido à sua hipocrisia, nisso eu me identifico com ele. Não podemos nos esquecer de que a Igreja é feita de homens, seres imperfeitos, ou seja, ela é, ao mesmo tempo, santa e pecadora. Porém, para mim, o fato de uma pessoa fofoqueira e hipócrita ir à Missa todos os domingos, comungar e pronunciar o nome de Deus e não sair do ambiente completamente transformada, continuando a ser o que sempre foi, sempre me causará uma eterna indignação!
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